quarta-feira, agosto 13, 2008

"Perdi o meu castelo e a minha princesa"


Nunca quis saber as respostas para as perguntas reais que rondavam a sua cabeça. Talvez por isso eu sempre tenha fugido da inevitável necessidade de verter em verdade os meus próprios pensamentos, minhas próprias obviedades ou as suas... Já que palavras são os tijolos desses auto-enganos que nos pomos a construir, e mesmo que em algum momento as paredes dessas realidades tenham se erguido, não foi demolindo-as que seguimos sustentando os nossos “pesos e levezas”?



E forjei como que em ferro as ilusões necessárias para fazer de você o meu escudo e a minha espada. E não foi o que fez igualmente de mim?

Se te fiz arma, é exatamente ela que me fere agora. Mas falta-me a mesma destreza, ou sobra falta de convicção para fazer o mesmo que faz a mim, ser o espelho de sempre. Um duelo de titãs que não deveria haver derrotados, mas agora tenho que usar escudo nos meus calcanhares...Penso que falhei. Ou talvez de tanto acertar, tenha destruído o que havia de genuíno, original. Negar-me para aceitar, para não destruir, e mesmo assim o fiz? E agora, o que faço dessa imensa imitação de mim mesmo que criei para protegê-la? Abrigamo-nos neste castelo de eufemismos, construído da matéria do impossível que quero crer que são paredes fortes e eternas. E nunca quis o sopro que poderia derrubar este castelo de cartas, e você só esperou o sopro do dragão...



Ao som de: Metal contra as nuvens – Legião Urbana

terça-feira, agosto 05, 2008

Abrace!




I wish this could work everytime we miss someone!

terça-feira, julho 29, 2008

O Oráculo do Chá

Estava eu preparando o meu singelo chazinho noturno de hortelã, (daqueles de pacotinho mesmo...) quando reparei (depois de anos!!!) que na etiquetinha do chá vem escrito umas frases de pensadores famosos...
Para mim ontem, e me fez muito sentido, o oráculo do chá me disse:

“Se a razão que faz o homem, é o sentimento que o conduz.” (Rousseau)

terça-feira, julho 15, 2008

A Chuva



"Ouvia a mesma música repetidamente.
O fim emendava-se ao começo em um ciclo perfeito. As palavras serpenteavam por dentro daquela sala, enrolavam-se entre os seus dedos e ainda assim não sabia o que dizer.
Talvez por que palavras fossem só palavras e não ardiam naquele papel como os sentimentos que lhe queimavam o peito... Ou talvez pela pura incapacidade de domá-las e alinhá-las dentro de linhas, parágrafos, que contivessem segredos, profecias, que tocassem o passado e abraçassem o futuro.
E roga...
Roga por pensamentos como chuva. Como fim e começo.
Conseguia rir e chorar nos mesmos olhos e lábios, convulsa e convencida e de todas as incertezas amontoadas no corredor.
Até que a mão dele pousou sobre o seu ombro...
Atou todos os minutos, calou todos os sons, conteve todo o pulsar e pôs-se ao seu lado. "

Thank you dear friend to be always with me.
Imagem: http://browse.deviantart.com/?q=rain&order=9&offset=48#/d1k9kih

sábado, julho 05, 2008

O Tiro


Ele fica na espreita.
Espiando pelas brechas... Nas frestas de uma fraqueza qualquer. Estreitezas forjadas por brasa quente em uma pele fina. Tramas e correntes. Artimanhas. Ardis.
Posiciona-se novamente e lembra os porquês. Para não ser levado pela correnteza e agora para ser levado por ela. Sente o peso da arma sobre o ombro direito.
Um espaço. Um raio.
É só do que precisa. Porque crê que possa crer.
É o prumo, o rumo sem setas.
Tiro.
Hesitação, alívio e medo escorrendo pela testa.
Alvo ao chão. Ele e suas metas tão estreitas, retas.
A arma fica mais leve. Os ombros mais pesados.
Um tiro e esse equilíbrio manco...
É tudo que têm.
Não há mais alvos nem arestas.
Não há pistas ou inimigos.
Respira o cheiro da solidão e da pólvora.
Só resta o peso desse vazio arrastado de fim.
Finais.
Sobra uma bala...
E um só alvo.

terça-feira, julho 01, 2008

Qui pro có


A expressão em latim quid pro quo, escrita no bom português quiprocó, tem significado de ‘isto por aquilo’, ‘toma-lá-da-cá’, ‘uma coisa por outra’.
Nem sei se este significado original se distancia tanto assim daquele ao qual se usa atualmente por aqui... Afinal, esse ‘toma-lá-dá-cá’ muitas vezes gera um verdadeiro quiprocó... Ou seja, uma confusão dos diabos, já que as pessoas estão cada vez mais viciadas a travarem suas relações pessoais na base do mercantilismo sentimental.
Não sei se eu tenho tendências menos ‘sentimentalmente capitalistas’, ou talvez eu seja uma utópica subversiva, só sei que nunca me acostumei a esse quid pro quo dos sentimentos...
- “Me dá lá meio quilo de atenção que eu te dou uma graminha de consideração!”
Aplique-se a isso juros de 5 ligações ao mês e correção monetária de uma mensagem simpática por dia de atraso e você terá uma divida de sem fim!
Eu não...
Eu gosto é de sorriso gratuito...
De abraço apertado e de saudade dolorida...
Eu gosto é da lembrança e da companhia sem pretensão...
Da atenção dos sentimentos reais.
E isso meus amigos... Dá um quiprocó... Ninguém nem imagina...

quinta-feira, junho 19, 2008

It's real.


É difícil crer que as pessoas são tão ruins quanto aparentam.

Mas são.

Regar solo imprestável, dedicar o que é bom ao estéril é nada criar.

It's real. And Hope is not a seed.


Imgem: http://browse.deviantart.com/?qh=&section=&q=hope#/dypl5q

terça-feira, maio 27, 2008

What is real?



No meio do seu silêncio escutei meu coração quebrar.
Trincando parte por parte sem cair no chão os pedaços.
Manteve-se dentro do meu peito indeciso sem saber se deveria continuar batendo desse jeito doído e descompassado.

quarta-feira, maio 14, 2008

Retalhos


Estou apaixonadíssima.
Pensei em acabar bem ai, nesse ponto final. Mas lembrei... 
Ponto.
Lembrei que você odeia minhas meias palavras, minhas reticências, esse ponto final abusado. Eu lembro de que a dúvida (ou a consciência dela) não é o seu melhor... (Desculpe, olha elas ai novamente, mas não as pude evitar!)
E sabe que acho meio patética essa coisa hiperbólica e fatal, sufocante, “íssimo”. Mas é fato. Estou apaixonadíssima e todas as vezes que me invade essa idéia ainda mais ridiculamente “íssima” me sinto talvez apaixonada o suficiente para transpor as barreiras do silêncio, que já dura o quê? Você contou? Urgência se mede por centímetros, quilos, segundos???
Não vem ao caso... O fato é que estou apaixonadíssima e amando o ponto final da primeira linha. Contente-se com ele.

terça-feira, maio 06, 2008

Busca-vida


Por favor, respondam.
De que me serve um dicionário que assim define um verbete:
Busca-vida: S.m. 1. Fateixa sem patas, cujos braços terminam em ponta, usada para rocegar objetos; garatéia.

Fateixa? Patas? Braços? Rocegar? Alguém captou? Não tem problema, vou te dar o sinônimo que vai te ajudar: garatéia.


Cumã? Juro que tentei imaginar a tal coisa e não consegui nem começar. Hômi, eu que não vou rocegar objeto nenhum com esse troço... Como costuma dizer minha mãezinha diante de coisas sem muita explicação: "- É bem capaz de ser essas surubada desse povo de internet..."
E vocês aí que gostam de internet que fiquem espertos com as fateixas sem patas por aí...

Queimando navios


Não costumo tentar entender como consigo errar tanto e por tanto tempo, mas dessa vez não ia bastar jogar o passado no abismo, era preciso me inclinar e ver se estava tudo bem morto. Explico.

O gesto aparentemente simples de abaixar-se para pegar algo que fingiu ter derrubado, deixando a blusa escorregar pelos ombros, deu-me a certeza de que eu teria aquela mulher. É claro que não pensei que levaria tanto tempo, ou que eu queimaria tantos navios numa aposta só. Logo eu, conhecedor de tantas artimanhas, tenho que admitir que com ela peguei o caminho errado.

De início, imaginando que ela fosse gostar de ter em mim um romântico admirador, lancei-me tortuoso na conquista que tinha como base uma fingida expressão de que estava muito interessado em tudo o que ela dizia. Não demorei para perceber esse primeiro engano, e passei a usar a máscara seguinte: fazendo-a pensar que depositava ali muita confiança, contava-lhe pequenas parcelas de segredos sem importância. Mas antes que pudesse colher os resultados, e decerto não os veria, surgiu a grande chance: momento de fragilidade.

Difícil não parecer covarde em valer-me dessa óbvia possibilidade, mas diante do prêmio isso deixava de ter qualquer relevância. E quando enfim começamos a perder juntos a noção da hora, não gostei de perceber olhos abertos velando meu sono calmo. É que talvez pela primeira vez eu estava diante de alguém que jogava com a segurança que só um royal straight flush nas mãos pode dar. E se blefava, seria ainda mais encantador imaginar que o fizesse tão bem.

Eu só teria mais alguns artifícios, e me perguntava se deveria usá-los para conseguir desvendar o mistério, ou se deveria permanecer intrigado aproveitando tantas boas sensações. Queria eu ter a placidez daqueles que optam pela segunda opção, mas logo me vi fazendo-a acreditar que entreguei meus olhos para ela tomar conta.

E quando ela enfim acreditou em tudo e cerrou as pálpebras para dormir me deixando ver suas cartas baixas, a luz do dia clareou meus pensamentos com a certeza de que era hora de partir dali. Não sei exatamente como eu faria para ela me mandar embora, mas isso provavelmente aconteceria quando ela percebesse que fiz todas aquelas promessas que nunca poderia cumprir.
E se me perguntassem por que destruí uma das poucas coisas que consegui viver, eu só saberia dar uma resposta tão evidente quanto decepcionante: medo.

segunda-feira, maio 05, 2008

Perspectiva


Por ter deixado para trás a minha terrinha querida, às vezes sou acometida por desejos gastronômicos de difícil concretização...
É mais do que a clássica vontade de comer feijão e tomar guaraná de quando se viaja para o exterior. Falo de algo maior, de uma saudade que não passa mesmo quando se come a tal coisa, que mais se parece com a saudade que também sentimos de iguarias importantes na infância e que não se encontra mais hoje em dia, coisas como ‘Dip n’ lick’, Drops, Surpresa, Zorro, etc.
Alguns artigos são fáceis de encontrar aqui em BsB: tapioca, carne de sol, canjica, pamonha, macaxeira cozida. Outros, quase impossíveis: queijos coalho e manteiga, arrumadinho, codorna, cachorro quente (com carne moída), canudinho (com carne moída), pastel de açúcar (com carne moída).
Aqui soa como uma aberração falar nesses três últimos com carne moída: no cachorro vai só salsicha e molho, no segundo (believe me!) vai doce de leite e o terceiro não existe por essas bandas e o pessoal acha muito estranho um pastel que por fora é de açúcar, por dentro é carne e que se comido frio também é gostoso... (Explicando assim, confesso que parece estranho mesmo, mas ô trem bom!)
Mas recentemente aconteceu comigo algo muito maior que essa saudade cotidiana. Quem viu Ratatouille vai saber do que estou falando: perspectiva.
Na cena do filme um determinado personagem come um prato que o remete imediatamente a uma cena da infância que o faz sentir saudade e nostalgia, o que logo o leva às lágrimas (e aos telespectadores mais sensíveis como a que vos fala também...).
Eu adorei a cena, mas nunca havia sentido isso até que ganhei de presente umas pipocas Karintó (aqui em Brasília só tem da doce e é de outra marca: Bokus).
Pois bem, sem imaginar os efeitos que aquelas singelas pipocas que em minha terra valem míseros centavos exerceriam sobre mim, abri logo o pacotão e tirei uma de dentro.
As primeiras pipocas ainda se desmanchavam em minha boca quando eu simplesmente comecei a rir e a chorar ao mesmo tempo. Foi um sentimento que me tomou tão rapidamente que nem tive tempo de me preparar para o que viria: imediatamente o cheiro e o som do intervalo das Damas (minha escola) estavam bem ali, na minha frente. Eu vi minhas amigas Polly, Rhafa, Herllange, Isabelly, Jéssica, todas de farda (uniforme) azul rindo pra mim e milhares de mãos atacando um único pacote de pipoca cujo cheiro não nos deixaria até o final da sexta aula... Eu estive lá de novo.
Naquela época, a pipoca não durava muito e custava trinta centavos. Hoje é eterna e não tem preço.
Queria que vocês pudessem sentir isso também...

sexta-feira, maio 02, 2008

Perdoáveis confusões


Quem nunca fez uma pequena confusão com ditados populares, frases feitas, palavras mais complicadas, que atire o primeiro comentário discordante...
Para atender a reiterados pedidos, registro algumas das mais preciosas frases confusas que já tive o prazer de ouvir. A maioria é de autoria de minha querida mãezinha, que, dizem as ‘mais línguas’ (essa já é uma das pérolas), roda em sistema operacional ainda desconhecido. Divirtam-se.
- A bala ficou ajaulada na cabeça do rapaz.
- Por que você não põe o carro na bengala?
- Mas é uma maria de primeira viagem mesmo!!
- Vou te contar, ele adora tirar dos ricos e dar aos pobres, só quer ser Peter Pan...
- Você vai sofrer o pão se não seguir o meu conselho...
- Eu tô quase desistindo, vou jogar o penico... (resposta pra essa: - Por favor, ou você joga a toalha ou pede penico, mas jogar o penico vai ser meio complicado...)
- Ele estava dirigindo um Ford Palio...
- Eu sei o remédio: é bergamota de potássio!
- Olha só que barbeiro, vou xingar esse cara: FUCK MY ASS!!!
- E quem ganhou o caminhão do Faustão foi: EDIVALDO DE SOUSA! Olha só, quem ganhou foi um cara de Sousa... (resposta: - Digamos que Sousa é mais comum como sobrenome do que como cidade...)
- Ele titibia, titibia e não se decide...
- Para bom entendedor duas palavras bastam...
E se eu lembrar de mais alguma não deixarei de registrar.

quarta-feira, abril 30, 2008

Aprendendo a dar desculpas...



A surpresa é melhor quando vem do lado mais inesperado. Hoje minha diarista me ensinou uma forma de discurso indireto eufemístico muito mais genial do que o tradicional ‘o gato subiu no telhado.’

Nunca a vejo, apenas chego e me deparo com a casa limpinha e organizada e aquela folhinha azul grudada no ímã da geladeira: “falta veja”. Compro o item e deixo pra ela outro bilhetinho azul: “falta limpar o filtro do ar condicionado.” E assim vamos seguindo à perfeição: na nossa relação, não falta nada...

Mas hoje me deparei com um bilhete diferente: “SUAS TAÇAS QUEBRARAM ...” Simples assim.

Percebam. Não existe forma melhor de dar a notícia. Além de tirar completamente a responsabilidade dela pelo ‘acidente’, dá um certo ar de que ela até tentou evitar, mas nada poderia ser feito diante da decisão resoluta e irreversível de minhas taças: elas queriam quebrar.

Resignada, no lugar de ficar com raiva da Fátima, reconheci sua esperteza e resolvi aprender com ela e compartilhar seus preciosos ensinamentos com a blogosfera... Os três pontinhos no final da sentença têm o papel fundamental de dar o tom de caso fortuito essencial para que ninguém mais questione a fatalidade. E pensei nas inúmeras situações em que esse discurso indireto poderia ser útil. Mais ou menos assim:

Ronaldinho e os travestis: - As prostitutas se travestiram...
Nardoni falando pra polícia: - A menina se morreu....
Dilma e o dossiê: - O dossiê se escreveu e se vazou...
Qualquer um para o chefe: - O relatório não se aprontou...
Qualquer um atrasado: - A hora se apressou....
Lula e o terceiro mandato: - A Constituição se mudou...

E por aí vai. Não é preciso muita criatividade, só cara de pau.

Bailarina

 
A caneta bamboleava entre os dedos quando decidiu subir em uma árvore...
Sairia no final do expediente e encontraria uma árvore convidativa no meio de algum canteiro solitário e a escalaria, tal qual nos tempos de criança. (Mesmo sem lembrar de haver feito isso nesse tempo, e tão pouco tem alguma reminiscência concreta de haver sido criança. Crê que nasceu de calças de pregas e sapato social...).
Talvez nunca houvesse realizado tal feito realmente, mas guardava algum tipo de sensação saudosista imaginária de um feito heróico e desafiador de limites, ao chegar ao topo de uma enorme árvore de um jardim igualmente imaginário, enquanto uma platéia invejosa espiava com o olhar esticado para lhe alcançar. E era só isso que queria: não ser alcançado.
Pensou o quanto soaria ridículo ao confessar a alguém uma decisão que parecia tão inadequada de dentro do seu nó duplo de gravata. Subir uma árvore, sem razão aparente, racional e dedutível no imposto de renda... Isso o torna tão sonhador quanto àqueles a quem devora no café da manhã todos os dias.
Tinha medo.
Porque nunca poderia desabotoar a camisa italiana, livrar-se do terno inglês e abandonar-se a um mundo sem pátria em um galho de figueira florida... E lá do alto, poderia dizer sem que ninguém ouvisse. Desse topo poderia confessar sem testemunhas a falta que lhe faz apenas não ser. 
Quer dançar a sua dança, levado por aqueles galhos, que poderiam ser seus braços, colando o corpo aquele tronco e abandonar-se por se saber achado. O colarinho não aprisiona palavras doces, nem tão pouco o esconde das paixões e desse arrebatamento que o persegue sem cessar.
Árvore bailarina, gingando no ritmo da brisa.

quinta-feira, abril 17, 2008

Brincos, batons e fraudas!


Uma coisa tem que ser admitida!
Fomos negligentes!
Ah, nem adianta careta, pezinhos nervosos batendo no chão...
Fomos negligentes sim!
Pronto!
Findo os protestos agora a explicação:
Depois do texto de 13 de maio de 2007 um longo caminho se passou e a nossa querida amiga que vinha tendo que escutar as mais diversas receitas para engravidar (E depois ela divulga a receita campeã!) engravidou e não só isso, já está com 8 meses! E esse post do Brincos foi pelo medo do pimpolho vir ao mundo sem que aqui fique registrado toda a “caduquice”das tias aqui do blog que estão doidinhas para ver o seu rostinho e só não tricotaram sapatinhos porque essa coisa de agulhas é muito complexa!
Esta tia babona em específico até já sonhou que o Gabriel já tinha nascido e que na maternidade mesmo eu o colocava no colo e lhe explicava o mundo todo! (Por favor não estou tomando nada hein!)
Detalhes da gravidez? A mamãe lê toneladas de informações úteis e inúteis e o seu livro de cabeceira agora se chama: “Bebês: Manual do Proprietário”...
Anda assistindo vídeos de partos na internet e pondo o pai do baby para aprender a dar banho, trocar fraudas...
Está com a pele ótima e tranquilíssima ao contrário de todos que a cercam que estão ansiosissímos! (E isso me inclui!)
Então fica aqui o registro (E espero que em tempo! Ainda não nasceu né? Brincadeirinha...).

segunda-feira, abril 14, 2008

Nunca fui de Câncer...


Apesar de meu (im)popular ceticismo, confesso que na adolescência li horóscopo algumas vezes. Como resistir àquela pergunta em letras garrafais: "Seu signo combina com o dele?" Começo de namoro, insegurança, ninguém escapa a uma olhadela, quem pode jogar a primeira pedra? Mas em seguida vinha a decepção, meu signo e eu nunca pegamos uma letra.... Nenhuma previsãozinha sequer, nada. E olha que às vezes eu queria acreditar...

Anos se passaram e esse assunto para mim foi se tornando cada vez mais bizarro. Algo tão estranho como videntes que prevêem o futuro através de rãzinhas amarradinhas dentro de ovo de galinha (amiga Mimi, me perdoe, mas é bizarro!). Mas como qualquer terráqueo, nunca escapei de comentários do tipo: - Nossa, tão dorminhoca, você é de libra? - Que perfeccionismo, é de capricórnio? - Tão conversadeira, tenho certeza que é de gêmeos.... Para mim, esses raciocínios seguem tanto a lógica quanto: - Hum, pinta as unhas de vermelho... aposto que gosta de sorvete de umbu...

Pois bem. Já devo ter dito que no meu trabalho faço diariamente um exercício de tolerância. No começo foi difícil, mas hoje confesso que adoro, participar por alguns minutos por dia de mundos tão diferentes do meu é quase como viajar e é de graça.... Bom, aí uma amiga que faz mapa astral ficava indignada com a minha incredulidade no mundo da astrologia e se dispôs a fazer o meu. Lá fui eu com dia, hora, minutos e local de nascimento. Ela me vem com a bombástica revelação: "- Você nunca foi de Câncer, você é leonina. Nasceu no dia de transição do signo e o sol já estava em Leão na hora que você nasceu." E ela ainda acrescentou em tom de revelação: "- Eu sempre soube que tinha algo errado..."

Gente, calma! Explico. O que define seu signo é em que casa o sol está na hora que você nasce. Aquelas datas que vemos nas revistas, segundo minha amiga astróloga, são aproximações. O que quer dizer que qualquer pessoa que nasceu no momento de transição de um signo pro outro pode a vida inteira ter lido o horóscopo alheio...
E o que isso alterou em minha vida? Well, apesar da falsa sensação de tempo perdido na adolescência (mesmo porque ler o signo certo não me daria hoje a sensação de ter feito melhor uso do meu tempo....), foi como descobrir que na minha vida passada eu gostava de plantar bananeira.

Mas, minha amiga Mimi, que acredita em entidades absolutamente incompatíveis como todo bom brasileiro católico não praticante e simpatizante do espiritismo mas que acha lindo os cultos evangélicos, resumiu o que eu deveria estar sentindo: - Meu Deus! É como descobrir na fase adulta que é filho adotivo!
Eu só sei que Câncer é água e Leão é fogo, e dessa mudança eu gostei. Pero que las hay, las hay...

Imagem: Dana - (Aparentemente, A Deusa do signo de Câncer)

quarta-feira, abril 09, 2008

Folhas de Outono

Uma agonia cansada, repetitiva.
E eu só gostaria saber o que dizer.
Porque ainda não sei.
O estômago se contorce e eu não sei.
Vago pela casa contando passos, colocando vírgulas em pensamentos e eu ainda não sei.
Perco o sono e olho pela janela outras vidinhas e não sei.
Adormeço e em sonhos brancos e não sei.

Bebo um tanto de goles de qualquer bebida amarga e apenas não sei.
Não sei por não querer. Não sei por querer.
E por saber que sei.

quinta-feira, março 06, 2008

Nas asas

                               Mudei.

Ou deveria dizer que me mudei. Entenda-se como quiser. Mero endereço ou localização geográfica ou mesmo os tijolos e paredes da minha construção. Assim resolvi voltar. Hoje fica esse texto antigo, tão antigo quanto a vontade do retorno...

“Vestiu-se de flor e pôs-se a suspirar”.


Dizer que ele tinha pernas em seu pensamento não seria descrição de plena justeza.
Ou que tinha braços se não dissesse que neles cabem todas as coisas...
Alado... E assim a carregava para tão longe que ela nem lembrava mais de voltar.
Ainda mais injusto então chamar de perdidos os olhos que se encontram mais e mais a cada pulso soluçante de seu respirar...
Ai da espera que espera! Ai do desejo que nunca finda!
Respirando transitoriedade...
E já nem sabe mais sentir aquela que se vestiu de flor.
Nuca soube dizer e deveria.
Pois só, sozinho, somente...
Era para dizer-se só.

terça-feira, agosto 28, 2007

Call me irresponsible


Parei em frente ao prédio dela e esperei um pouco. Ela logo chegou, depois de fingir um leve atraso. Vestido vermelho, perfume bom. Eu procurei primeiro a boca porque sabia que se eu buscasse o olhar seria prontamente reprimido. Mas demorei demais e ao invés da boca estava lá o olhar inquisidor junto com a conhecida qualidade que as mulheres costumam atribuir a mim:
- Irresponsável!
Eu já sei tudo o que vem depois. Além de não confiável, vem junto imaturo e insensível. Enquanto você diz isso seu vestido vermelho tenta me dar a pista de que você quer fazer as pazes ainda aquela noite. E eu tenho que me concentrar bastante nele para não olhar para você e simplesmente pedir que cale e saia.
Olhando pro seu rosto com raiva tão lindo eu desisto de desistir e lanço o meu primeiro álibi para me desculpar e negar tudo o que disseram que fiz. Sua expressão demonstra que esse foi o mais estúpido de todos. Já fui bom nisso. E o segredo é simples, se acreditar no que diz, não estará mentindo.
Mas se você acha realmente tudo isso de mim, por que insiste? Eu já não sou tão bom nas escusas, e mesmo assim, você está ali, com a produção inteira me dizendo que não está acabado como o seu discurso ensaiado quer me fazer acreditar.
Com o tempo aprendi que não sou tão ágil quanto você nessas conversas, mil argumentações, por isso sei que se eu só te ouvir, sua raiva passa, e você me perdoa sem que eu precise dizer quase nada. Por que as mulheres se tornam tão incrivelmente chatas com o tempo? Não basta saber que eu gosto de você? Tem que ter todos esses outros complicados requisitos? Se você não me fizesse perguntas, eu não precisaria mentir. Bastaria que você entendesse que somos diferentes, e aquilo tudo que pra você é grave, não diminui em absolutamente nada o tanto que gosto de você.
Mas ninguém jamais terá coragem de sustentar isso em público. E a gente segue mentindo. Tendo que ouvir todos os xingamentos mesmo sabendo que o vestido já adiantou o happy end. Ora, se você já sabe que isso não vai ter importância, não seria mais fácil pular todas essas etapas? Não é possível que essa parte da noite esteja sendo divertida pra você. E quando ainda estou no meio desses pensamentos, você respira e diz:
- É isso, te perdôo com essa condição.
E eu aceito de pronto. Sem pestanejar. Claro que sei que não vou cumprir. Claro que você sabe que não será atendida. Mas o seu decote já se aproxima. O olhar inquisidor já está embaixo das pálpebras cerradas e o beijo que desejei bem antes chega atrasado. E aí pergunto: existe um culpado se conhecemos todas as regras? Eu posso reclamar de sua chatice se chego pra te pegar depois do que fiz ontem? Você pode esperar de mim algo novo se entra no meu carro com esse vestido depois do que fiz? Sabemos de tudo, mas pra quê conversar sinceramente?

quarta-feira, agosto 22, 2007

"The lives we lead, and the lives we wish we led."


Só volitando...

Passei meus dias assim... Lambendo palavras, das doces as amargas.


Tosse e aspirinas...













quarta-feira, junho 27, 2007

Nem Sempre Vícios



Sempre pensei que devia existir algum tipo de porta de saída.

Para todos os vícios um lema, para todas as dependências uma saída, um escape, um antídoto...

Primeiro passo é a descoberta, ou seja, constatação consciente do indivíduo de que de alguma forma, mesmo que obscura, seu corpo, sua existência confortável e amena depende de um certo algo, do objeto do vício.

Objeto identificado passa-se da fase de que além de reconhecer, ainda aprecia-se não só o efeito do vício (o conforto), como o vício em si. Um toque de beleza distinguível de qualquer outra. Incomparável.

Uma experiência científica foi feita com ratos, e consistia em instalar um dispositivo ativado pelo próprio animal que lhe dava pequenas descargas elétricas que ativavam diretamente seu hipotálamo. Essas descargas eram gradativamente aumentadas em sua potência ao ponto que poderiam levar a morte. Só alguns escolheram defender-se (sua sobrevivência), abdicando do bem-estar gerado (inicialmente) pelos choques. Os cientistas ainda não conseguiram identificar o que diferencia os ratos das duas categorias, o que os movem em direção ao vício e em direção a sobrevivência abnegada sem o estímulo, ou prazer gerado através do hipotálamo.

Não sei ainda que tipo de rato eu sou, mas ao menos já tenho consciência dos dois caminhos, e creio eu que prefiro ficar do lado de cá da “gaiola” vendo uns outros fritarem com um sorriso estampado... (Mórbido? Vai ver...).

quinta-feira, maio 24, 2007

Para rir e para chorar


Adoro ver TV.

E olha que ultimamente tem aparecido até uns coelhos nas novelas! (não os branquinhos de olhos vermelhos, os de cavanhaque brega com capa e tudo! Oh céus!) E se você não rir por achar graça, ao menos vai rir de desespero...

Só nunca entendi por que o que o Hugo Chaves não gosta... Vai fechar a TV mais popular do país, e não foi “sem-querer-querendo” (ai que trocadilho infame!)... Logo o Chaves que é tão dado a demagogia, ops! Quer dizer, democracia...

Outro dia presenciei o seguinte Diálogo Familiar: “Vem logo jantar homem! Se você for ficar assistindo escândalos na televisão vai passar a noite toda ai!”
Não acredito que nem o Buda tenha tanta paciência quanto o povo brasileiro... Será que foi de propósito o nome da construtora acostumada a “presentear” nomes influentes no cenário político nacional chama-se Gautama???

E o que dizer das maracutaias hi-tec? Pós Operação Navalha da Polícia Federal agora com som e imagem para dar mais Ibope, ficou sem graça acompanhar a sujeirada nacional só por documentos e essa coisa toda... Vai ver que foi por isso que um certo assessor foi flagrado destruindo papeis logo após as denuncias... Tsi, tsi, tsi... O rapaz só preocupado com a diversão nacional!

Navalhas a parte, fato é que o tal escândalo do momento chamuscou até os que pularam as últimas “fogueiras” (operações, grampos, CPIs...)

Ah, e em falando em fogueiras...

Isso também me divertiu na TV... Um bando de estudantes/militantes (ou seria o contrário???) usando e ABUSANDO do direito à livre manifestação. Super válido, ninguém precisa pixar meu muro me chamando de facista, mas acampar ao som de “Caminhando e cantando” tocado em um violão desafinado e acender fogueiras dentro do prédio da reitoria de uma Universidade Federal... Bem... Vou nem falar! E eles protestam pelo que mesmo??? Alguém ai sabe?

Dizem que a propaganda é a alma do negócio, e acho que essa nova campanha incentivando o turismo está dando muito certo! Começo a ter sonhos de viajar à Brasília de avião só para passar um tempo no aeroporto de lá... Mais emocionante do que filme de espionagem americano! Malas para cá, códigos para lá... Um tal de entra e sai de milhões de reais, muito me interessa!

Mas viajar de avião no Brasil é má idéia, quando não são buracos negros no espaço aéreo, greve dos controladores de vôo e equipamentos quebrados são urubus nas turbinas, e o engraçado (eu não disse que de um jeito ou de outro é para rir!) é que a única pessoa entrevistada na TV sobre o ocorrido foi um cantor de pagode... Será que vai dar samba?

domingo, maio 13, 2007

Receitas Sensacionais!

Acho que dois post's em que o tema central é, digamos "continuação da espécie" é um sinal para que eu me atreva a traçar umas poucas linhas também, afinal, posso dizer que no momento é um sentimento que me atormenta.

Pois é, há 10 longos meses parei de tomar a tão famigerada pílula para ver se a vida me dava um "trabalhinho" a mais.

Posso dizer que esta decisão causa os mais variados sentimentos nas pessoas, os possíveis avós adoraram a idéia... A maioria dos amigos me olham com uma cara de "coitada, ela é louca!"

Mais o que posso fazer? Rendi-me aos encantos destes seres tão fofinhos quando pequenos e tão indecifráveis quando crescem. E mesmo com todos os conselhos e todas as coisas que vemos por aí, decidimos arriscar, afinal não se pode prever o quão nos darão alegrias ou tristezas.

E como se já não bastasse à longa espera, você ainda encontra em cada reunião familiar alguém lhe perguntando: "- e aí, o bebê, é para quando?", você fica meio sem jeito, afinal, os avós já espalharam para todos que "estamos tentando".

Imaginem as várias especulações, e o pior... Várias receitas milagrosas... coisas estranhas do tipo: ficar de cabeça pra baixo; não tomar banho (eca!); tomar chá de não sei lá o quê...

Então, acho que minha dica é...

Se um dia vocês decidirem que querem continuar a espécie, só avise aos familiares quando o bebê já estiver encomendado...

Sob pena de... (vocês sabem o quê).

quinta-feira, maio 10, 2007

A hard day night



Hoje já assisti aula de professor gago às sete da madrugada, no festejado intervalo me deparei com a máquina de café quebrada, enchi balão de festa, resolvi abacaxis indissolúveis para o meu chefe (até porque se fosse solúvel ele não o teria deixado para mim, fazer o quê, ganho pra isso...), uma pessoa que eu sempre malhei me contou a vida penosa que teve e me deixou com uma obesa consciência (do tipo: o acidente foi muito traumático; meus pais dividiam uma quentinha no almoço; nunca ganhei ovo de páscoa, entre outras infernalidades...)

Aí se imagina, o que o mundo me deu em troca? Uma noite na minha tranqüila piscina aquecida olhando o céu candango limpo e estrelado, massagem nos pés, louça lavada, relaxante muscular e chandon? Convenhamos, utilitarismo, as forças estariam sendo minimamente justas. Mas, não preciso nem elencar Murphy, outras dezoito leis de azar e mais esse texto para dizer que não, não foi assim que se sucedeu. Afinal, todo mundo sabe, coisa boa não se sai contando por aí.

Sem mais, vamos à celeuma que me impele a este retorno após longo entrave à escrita. Para isso, preciso falar um pouco sobre a Lu. Ela era minha colega de trabalho que se tornou grandessíssima amiga após enfrentarmos juntas monstruosos advogados sedentos por sentenças e liminares, sermos expulsas de sorveteria por estar na hora de fechar, guardarmos segredos de gente grande, ligarmos uma pra outra pra dar a notícia urgente: 50% off na Zara! Enfim, mui amigas.

Ela, balzaquiana casada há cerca de sete anos e muito decidida desde o altar de que não teria rebentos, tem um defeito para minha opinião cética: acredita em astrologia e consulta videntes por telefone. Final do ano passado ela me vem com essa: - Ano que vem vou ficar grávida, o vidente falou.

Maio de 2007, prazo suficiente para a profecia se concretizar e lá vem ela chorando com um papel na mão: Tô grávida! (Essa sim, real, Sra. P.G.!) Deve ser instinto reagir a isso com gritinhos, pulinhos e lágrimas, por óbvio, foi o que fiz. Em seguida, pensei: relaxar completamente com o contraceptivo pode receber a condescendência do nome auto-sugestão? Curioso ou não, a coisinha de dois centímetros está lá, dentro da barriga da minha amiga moderna que eu nunca pensei que seria mãe.

Certamente ela será uma grávida legal, sem aquele papo todo de peito rachado, parto humanizado, macaquinhos Yoga para gestantes, etc, foi o que pensei secundariamente. E o que isso tem a ver com a recompensa que o mundo me deu para esse meu dia? Já conto.

Uma voz ansiosa no telefone: tenho uma coisa para te mostrar, pode ser hoje à noite? Chego lá e não creio, quilômetros e quilômetros para ver a foto do bebê, leia-se ecografia toda preta em que a parte que ela acha ser a cabeça do montinho de células pode vir a ser qualquer outra coisa. E o mais terrível é que sei, contando com minha racionalidade paraguaia, que vou olhar pro filhinho dela e repetir devagar: Repete, bebê, ti-ti-a, ti-ti-a. Não tem jeito, é fatal, alguém aí sabe como escapar do instinto de preservação da espécie?

segunda-feira, maio 07, 2007

E agora? Mãe?

Eu vou para o inferno... Não tenho mais ilusões...

Se o inferno existir, já estou lá!
Olha, e não é porque sou advogada não... (Mas diz um amigo meu que isso é no mínimo um agravante... Os juros do meu “cheque especial” dos pecados...)
Ai! Já dá até para sentir o calorzinho...
Então vou confessar:
Vou para o inferno porque menti em PG!
Ufa! Falei...
Céus! (Hora de clamar pela absolvição)
Era uma noite chuvosa...
 
Estava cansadíssima e depois do trabalho ainda tive que ir ao supermercado... Meu humor não estava dos melhores, eu admito! Mas não foi isso... Depois de apalpar tomates e cheirar mais de dez tipos de desinfetantes uma pessoa não pode ser considerada imputável, pode??

Já passava das oito quando o suplício semanal estava acabando e tive a visão das filas gigantescas... Minhas últimas esperanças de chegar em casa nessa década ainda já eram...

Quando, como que por indicação divida, no caixa 09 uma filinha minúscula com apenas dois carrinhos na frente... Não pensei duas vezes, me alinhei logo atrás. Para a minha surpresa, além da fila estar curtinha ainda tinha umas cadeirinhas com revistas ao lado! Viu? Minha sorte estava mudando, foi o que pensei.
Meu querido maridinho se aproximou sussurrando: “Amor, agora você está grávida, não é?” Por acaso ele estava sabendo de alguma coisa que eu não estava? Tinha trocado minhas pírulas por AS Infantil? Era melhor ele confessar logo porque a morte dele iria ser mais indolor... Já estava por preparar minha cara de assassina de maridos malandros, quando ele apontou para a placa: “Caixa exclusivo para gestantes, idosos e deficientes físicos”.

Foi ai que fraquejei... Era fila ou mentira.

Mentira. (Só não imaginei que seria tanta!)

Sentou-se uma mãe (Com cara de mãe, RG e CPF de mãe... Gravidíssima. Carrinho atrás do meu. Pronto. Fud...).

Meu marido notando o grave risco que ele estava correndo de passar a noite em outra fila começou a alisar a minha barriga... Até beijo deu!

Não deu outra, a mulher se sentiu plenamente convidada a puxar um papo longuíssimo sobre as pernas inchadas, os seios crescidos, peso sobrando, varizes, estrias e outras tantas coisas agradáveis quanto as seis vezes que já havia vomitado naquele dia. Ai veio a pergunta: E você? Está de quantos meses?

Esse foi o detonador. Desconhecia minhas próprias habilidades de mentira a quilo... Respondi: Dois.
Depois disso lembro de pouco porque a mentira fluía com uma facilidade incrível! Acho que até dos possíveis nomes, a escola que eu queria que meu bebê virtual estudasse, o valor da família, enxoval, anestesia peridural e o escambal... Só senti meu marido me puxando para ir embora... Acho que ficou com medo que eu “tomasse gosto” pela coisa (alias, coisas, as mentiras e os bebes...)

Mas segundo minha mãe eu estou salva do inferno...

Por que mãe sofre tanto que vai para o céu sem escala... Acho que isso vale até para mãe virtual, não é?

terça-feira, abril 24, 2007

Pequenas Peças



Não poderia nomear de surpresa, porque não foi. “Operação Furação”. Mais uma com nome cuidadosamente escolhido... Se bem que poderia ter sido outro como “Operação sujeira no ventilador” ou ainda “Tsunami do Judiciário”. Eu vou me candidatar a equipe de inteligência da Polícia Federal para pôr esses nomes! Estou ficando craque!

* * *

Por falar em craque, estou chegando a conclusão que pela pura falta de craques reais na atualidade a mídia tem vivido dos craques do passado. Não fosse isso o Maradona não continuaria aparecendo em todos os noticiários a cada dor de barriga, o milésimo gol do Romário já teria saído, e o Zidane já teria parado de dar “cabeçadas” por ai...

* * *

Senti o arrepio me percorrer a pele, e depois meu estomago se contorceu... Minha vida foi abalada profundamente pela notícia: “Sandy e Júnior vão se separar”. Sem comentários...
* * *

O que diabos foi aquela campanha do Vectra??? Alguém ai entendeu “lhufas”??? Teaser. Propaganda que ninguém viu. Depois nota macabra e mal feita, misteriosa e sem sentido, e depois propaganda tosca. Olha, tenho a impressão essa foi a típica idéia “genial” que termina saindo uma verdadeira... Vai ganhar o prêmio pior campanha do ano em disparada!

terça-feira, abril 17, 2007

Retalhos

Eu mesmo vou riscar o fósforo. E admirar a fogueira desses pensamentos tolos. Sei que essas são só palavras para alimentar o fogo.
E faça-me o favor de não culpar meu mau humor, já que nesses dias só ele tem a dignidade de me acompanhar. Solidão não... Escolhas...
Eu sei que você poderia brincar com os ‘brinquedinhos’ que bem quisesse, mas me escolheu. O fim sempre premia, é o que dizem...
E não foi você mesma que me disse que eu deveria ver o lado bom?Esse seu lado “livrinho de bolso” realmente me cansa... É tanta propriedade na ponta dos saltos... Mas eu conheço os seus centímetros... Falta-lhe somente que eu a sacuda pelos braços, desgrenhe seus cabelos, e lhe diga alguns palavrões...
E já havia decidido não lhe querer mais. Assim... Tão certo quanto a morte! Mas esqueci das minhas convicções entre a porta de casa e a sua boca. Mordo minhas palavras entre os dentes e só te sorrio, já que este é o tempo das piores razões.

Imagem: http://www.designup.pro.br/imgs/view/880

sexta-feira, março 16, 2007

Algo no café...


Estava por reler alguns textos aqui do Brincos...Sem motivo aparente, sem intenção determinada, ou confessando, pura falta do que fazer mesmo...

Inevitavelmente, se dá alguns sorrisos, se fazem algumas caretas (Qualé?! Ninguém é perfeito!)e se tira algumas conclusões também.

Acho que a primeiramente tenho que dizer que estou me sentindo um tanto quanto solitária aqui, e vejam, e ninguém pense que isto é uma cobrança. (já sofro por isso demais!). É só uma constatação. Sozinha isso aqui fica egocêntrico e besta. Eu entendo até demais as atribuições e tudo mais de todos. Lembrando: Essas são apenas constatações...

Além disso, acho que cometi algumas injustiças até agora. Remendar não é algo que eu realmente saiba fazer, mas só a prática leva a perfeição (Que o diga Bush e suas guerrinhas... Mas nem assim hein???).

Admiro a esperteza (principalmente a alheia) de conceituar mancadas como tentativas, em sendo assim... Tentativas a não pecam pela imperfeição, pois não passam disso, certo? Tentativas... Muito mais ameno assim!

Pois bem, primeiramente TADINHO DO LULA. Tá, o cara não acerta uma, mas todo mundo precisa de uma chance... Vai ver que até que ele tenta acertar... (nem me perguntem o que eu tomei no café da manhã que eu não sei!).

O Alberto (vide texto do dia 23 de fevereiro) pareceu obscuro demais pela minha “caneta”. No fundo, gostaria que soubessem que não passa de alguém cheio das famosas “tentativas” que vai acertar assim que alguém ou algo lhe abra a porta ou lhe acenda a luz.

Acreditei ainda que publicando aquela Carta ao Futuro (Vide texto do dia 09 de fevereiro) estaria mudando algo, alguém. Depois odiei minhas pretensões idiotas e quase apaguei. Depois uma pessoa me disse que quando quer dar valor as coisas realmente valoráveis, lê aquela carta. (sorry about the bad thoughts).

Por último, e não mesmo importante, HELGA! (vide texto do dia 28 de novembro de 2006). Dizer que a dor diminuiu, que no fim “acostuma” é mentira (o que eu tomei no café da manhã não foi tão forte assim!). Mas a imagem que ficou dela foi de ser rude... TADINHA! Hoje em dia até acho ela amorosa... Me consola e tudo mais... Diz que tenho pêlos rebeldes... Ah se ela soubesse como são meus pensamentos... Acho que preciso encontrar alguém que me arranquem eles...

quarta-feira, março 14, 2007

Discutível


Todos os gostos são discutíveis.

Ou como diria um amigo meu até a “discutíbilidade” é discutível...

Assim longe de mim as unanimidades (possivelmente burras, porque não???) e as pretensões de qualquer tipo definível.
Mas se há espaço para o auto-engano de estar por enriquecer qualquer um desavisado que se valha de alguma opinião, gosto, crítica, intromissão, elucubração ou puro humor (dos bons e dos ruins) hoje vou deixando uma música que tropecei durante à tarde, e me carregou pela noite. (Sim, logo eu a detestar “versões”... Mas “ódio” e “amor” são ainda mais discutíveis...)


 


quinta-feira, março 01, 2007

No meio da Cozinha



Já que ninguém se dá ao trabalho nem mesmo de ler esse blog, acho que posso me dar certas liberdades... Tipo quando se está sozinha em casa e se passeia pela cozinha só de calcinha e camiseta (salve, salve a calcinha e a camiseta!), ou então quando se passa horas contemplando o mosquito na parede da sala enquanto o mundo cai ao seu redor (produtividade para exibir a quem???)

Então, já que nesse espaço não há nem ‘tapinhas nas costas’, nem tomatada na cara, vou dizer uma coisa, razoavelmente simples:

EU ESTOU DE SACO CHEIO!!!

E que se dane a literatura e a poesia, a fotografia e a filosofia, a política e a diplomacia, o efeito estufa e o desenho do pernalonga! QUE SE DANE!!

Ufa...

Calcinha e camiseta na cozinha...

Ah, e se o vizinho ou mais alguém por ai viu, nem adianta me dar sorrisinho malicioso na rua ... Sorrindo na rua ou é tarado ou é político...

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Aviões de Papel



Nem Fim nem Começo. Assim ele é. Assim este texto sem começo o valha nem fim o arremende, mas diz ele, que essas pretensões são para os limitados... Que seja então...
Conheci outro dia o Afredo. (Dado irrelevante?)

Diria que esquisito demais para que eu simpatizasse sem pretextos, interesses ou afins (Questionamentos sobre os “afins” incabíveis!!!).

Descreve-lo? Seria previsível cair na vala comum das descrições óbvias, mas fugir dos estereótipos nunca foi meu forte (e até tenho os meus, podem acreditar! Da classificação “rasa” e “superficial” até a “complexa” e “profunda”.... Vá se entender uma coisa dessas!). Nada mais do que moreno, alto (Não... “bonito e sensual” vai estragar a imparcialidade!), roupa que faltavam ser passadas, óculos caídos por baixo de um cabelo desgrenhado que merecia um bom corte, entre outros modos que prefiro deixar por conta do “imaginante”...

O vi pela primeira vez, (ou assim lembro a primeira vez que o notei), estava dedicado a intensa fabricação de aviões de papel, jatos, concordes... Dirigidos à mesa de cabeceira, que imagino, fosse seu “Porta Aviões” particular invadindo um país inimigo qualquer...

Ao lado da sua cadeira marrom puída deitava-se sempre preguiçosamente o Fred, seu labrador com cara de desinteresse pelo mundo enquanto dormitava lambendo sonhos caninos saborosos. Por vezes levantava o focinho para ouvir as conversas labirínticas dos amigos dos seus donos, sempre cheia de palavras com mais de três sílabas... (Porque vocês sabem, filosofia que se preze não pode ser explicada com monossilábicos... Eu sei, eu sei...) Talvez esse fosse o motivo de Fred dormir tanto... Causava-lhe imenso tédio... Horas e horas de uma complexidade sem razão. Se alguém lhe perguntasse algo responderia entre um bocejo preguiçoso e outro tudo o que precisavam saber em duas latidas.

Alfredo estava sempre à beira do fim. “Conclusões infinitas”, por mais que isso pareça paradoxal. Todos os dias era o último dia que fumava, e o último cigarro, e talvez por isso tivessem adesivos de nicotina espalhados e colados por todo lugar. Talvez por isso segurasse um cigarro apagado entre os dedos, por que dizia assim enganar a si próprio, e eu no cumulo do meu auto-engano pensando que isso não era possível...

Ontem lembro que ele disse algo imprescindível, como todos os “algo” que ele tem a dizer depois de minutos intermináveis de silêncio e três jatos de A4 depois. Uma frase de Oscar Wilde me confidenciou no final...

“You’re not young enought to know everything”

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Uma Carta Ao Futuro



Preâmbulos eu só leio no final.E se eu gostar do que li no “durante”. Sou uma pessoa meio na contramão... Mas isso não vem ao caso... Achei por bem, “preambularmente” explicar, assim, no começo mesmo, que esta é uma carta endereçada ao futuro. É a idéia de um site interessantíssimo que tive o prazer de esbarrar outro dia... Segue uma dessas garrafas jogadas ao mar.

Here I am, trying to write the deepest thoughts and feelings from my heart, just to amaze you at an ordinary day, and maybe, with some luck, provoke a smile, a deep breath, and a bunch of good memories.

But all I see is this blank page to be field in. And I keep thinking what this me in the present could say to this you in the future that could touch you somehow, or be considerable enough. Isn't that the idea?

All I have are words that seen from here get lost in the distance of time. Now I realize that what fear about you is just the same. Getting you, and everything we built this way along, (didn't we?) lost in time and distance makes me feel sad, and I know that I shouldn't.

I like to think that everything will be different, I just don't like to remember the fact that different isn't necessarily better… Sorry, but like ever (remember?) I'm a bit lost on my own concepts of good and bad.

Maybe I should say that right now I have been married for a month, and all the things that I thought that would be good are better, and the ones that I thought that wouldn't are surprising me as good discovers that I was wrong, that the people can (and they do) try to give their best. Isn't that incredible? I'm deeply happy, and as I always thought happiness makes you float upper your own existence. If you ask me today 'what else' I wouldn't be able to answer. I wouldn't know. Wishes? I'm full of. The best ones. Believe me…That includes you, of course…

But for the future… I imagine if you will be still around…(I would love that…) Or if I will …(I hope I would, and love that to, so please don't hurt me ever…) And if you (at this time) had finally found what you're (and me) looking for. From know, I also try to imagine if you have done big things, or if I had, if had discovered the meaning of life, did something you fear to, got yourself (all parts of it) together, visited a great place, took an astonish picture, held someone very tight, wished the best truly, cried out the regrets, kept some dreams untouched, loved deeply and all the other things we all wish doing at the endings and at the begins.

Maybe it's time and place for confessions and excuses… Maybe it's not… It will never be. Or maybe one year from now there won't be anything else to explain. (Much better this way, right?).

Is today, with this 'futureme' mail, still an ordinary day? I hope not. I hope you call me to say this. If you don't, you can't say that I haven't tried. But anyway I must say 'thank you' for everything you've done, the presence, the silence, the truly happiness that I saw in your face at my weeding, the friendship when nobody else could be and mean this to me. 'Thank you' for all that I hope you will continue to be and mean, and if you don't, know just that you were very important to me as a challenge, as a lesson, as life.


Para ler ao som de Little Joy: http://www.youtube.com/watch?v=cr2VgfsAxFk

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Feliz como uma Bola de Sabão


Passou longos segundos contemplando o invisível a formar o visível. Lembrou-se de algo sagrado, talvez Deus, Amor, ou algum conceito difícil assim que um dia tentaram lhe explicar, e não sabe bem se entendeu.

A menina ajeitou-se sobre o banco da praça, pegou sua varinha vermelha de ponta arredondada e mergulhou dentro da solução de água e sabão. Puxou-o de volta e deu um longo suspiro puxando o ar para dentro de seus pulmões. Tudo dependia daquele momento. Preparou seu melhor biquinho de assobio, fechou os olhos e soprou tão suave quanto seus melhores sonhos podem ser... E deste sopro se formou uma enorme bola de sabão que com lentidão se desprendeu da ponta da varinha.

Uma alquimia secreta que resultava em um instante suspenso... A perfeição frágil ia se transmutando em várias cores, talvez seguindo os pensamentos que foram soprados para dentro dela. Cores de arco-íres em dias de sol... Contemplou por segundos intermináveis que planavam tal qual essa euforia estéril e volátil alojada em algum lugar entre a ponta dos cabelos e os dedos dos pés.

Vibrava ao sabor do vento, e a temeridade do fim agitava a alegria sem motivo que sentia, e por vezes se temia que seu mero respirar fosse a pequena agulha a estourar sua felicidade sem razão.

Passou um homem jovem pela calçada com os olhos a catar razões pela calçada. Olhou incrédulo para aquele momento suspenso pelo tempo. Espetou de realidade a bola de sabão que se desfez.

E a garota apenas sorriu.

O homem apenas pôs outro passo no caminho.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Sonhos na Vitrola


Um sono enorme!
E espanto-me com minhas próprias habilidades em executar tarefas mil nesse estado de torpor. Telefones tocam, e teclas cheias de letras. Sopinha... Mesmo assim pude ver um cachorro arrastando a dona pela rua, um casal esperando a vida passar abraçados, e uma chuva invertida a molhar-me só os pés. Um caminho de sonho surrealista... Em ondas que quebram em uma praia de areias brancas, onde repousam algumas dúzias de conchas e lembranças. Meu biquíni azul de lacinhos brancos... Lembrei-me de Miró e seus amores em cores primárias... Até do cheiro dos quadros. E de uns dias sorridentes como comercial de creme dental. Além de um jazz vibrante rolando na minha cabeça como uma vitrola velha, tão antiga quanto as minhas memórias de vinil. Mas não era disso que eu queria falar. Viu só? Sandices de uma mente cambaleante! Sono... Talvez ao acordar vou lembrar do que quis dizer...

terça-feira, janeiro 02, 2007

Próximo Ano Novo!


Meu tio é um gênio (mesmo sem ter consciência disso....). Esse ano na reunião da família resolveu inovar... Preparou um vídeo de montagem de fotos com trilha sonora e tudo! E no final para coroar a novidade tecnológica escreveu em letras garrafais seu desejo mais sincero: Um Feliz Natal e um PRÓXIMO Ano Novo!
Pode até ter errado no português, mas acertou em cheio no desejo dos brasileiros, pois no Brasil de 2007 acho isto é o máximo que se pode esperar. Afinal de contas, após as ‘turbulências’ do setor aéreo é só o que se tem depois de passar horas e horas no aeroporto aguardando sabe-se lá o quê! Brasil!

Desconfio que até o Papai Noel tenha ficado preso no Tráfego Aéreo e tenha tido seu saco de presentes extraviado (quem sabe enviado para as Ilhas Cayman! Ouvi dizer que muitas “malas recheadas” acabam indo parar lá...).

Próximo Ano Novo para todos os mensaleiros e Sangue-Sugas, Próximo Ano Novo para os reeleitos, para as obras superfaturadas, desvio de verbas e violência generalizada! Próximo Ano Novo para todos aqueles que esperam alguma mudança!

Somente um Próximo Ano Novo com as mazelas velhas para apagar as memórias precárias, aplacar antigas (e eleitoreiras) rixas, fazer-se esquecer o que já estava por esquecido, e comprar (com muita troca de favores e negociatas) aqueles que ainda não se calaram.

Pois não a nada como um dia atrás do outro com um carnaval no meio para não resolver as coisas pelas bandas de cá!