O Ponto


Sentia-se tragado. Sem já sem forças de procurar resistência em outros pensamentos que não fossem aquela imagem do absurdo e da completa coerência, da pele ligeiramente arrepiada, e aquele ponto negro em um mar branco, pintado atrevido no seio esquerdo dela.

Equilibrava sua vida apenas sobre ele, um sinal apenas, e deixando-se mover pelo ritmo do respirar dela, abandonando-se suspenso em sonhos pairando no teto daquele apartamento.

Já nem lembrava exatamente a quanto tempo estava contemplando aquele ponto negro. O tempo não era exatamente algo que o preocupasse, na realidade o que mais impressionava era o quanto um simples ponto o absorvia de maneira arrebatada e ao mesmo tempo ausente. O quanto lhe contava a história de ninguém ou do mundo inteiro.

Quando ela calçou seus sapados pisando na contramão dos antigos passos ele soube que aquele igualmente tinha sido um ponto. Um final. E só pensava no negro sinal pontuando uma frase de despedida qualquer que ela não disse.

E se abandonasse esse ponto e pensasse em retas? Não passaria uma infinitude de pontos. Ainda poderia deslizar o dedo indicador sobre a sua pele absorto pelo ponto, o único que não termina, o único que lhe cabe.


Terça-feira, Maio 26, 2009

Palavras não Ditas


Tem coisas que merrecem ser bebidas em goles tão grandes, daqueles que até escorrem pelos cantos da boca. Recentemente descobri esse site chamado "I can read", e esse é (felizmente) um desses casos.

Muitos e muitos posts me chamam atenção, esse quis colocar aqui por dizer um punhado de palavras não ditas e que quem sabe façam sentido e diferença para várias pessoas...

Sexta-feira, Maio 15, 2009

Instead

Para a minha amiga Lorena, como Pedido de Antecipação de Tutela.
(http://www.youtube.com/watch?v=gyR2WhZC0qg)

Instead

(Madeleine Peyroux)


Instead of feelin' bad, be glad you've got somewhere to go
Instead of feelin' sad, be happy you're not all alone
Instead of feelin' low, get high on everything that you love
Instead of wastin' time, feel good 'bout what you're dreamin' of.


Instead of tryin' to win something you never understood
Just play the game you know, eventually you'll love her good
It's silly to pretend that you have something you don't own
Just let her be your woman and you'll be her manÂ…

Instead of feelin' broke, buck up and get yourself in the black
Instead of losin' hope, touch up the things that feel out of whack
Instead of bein' old, be young because you know you are
Instead of feelin' cold, let sunshine into your heart.

Instead of acting crazy chasin' things that make you mad
Keep your heart ahead, it'll lead you back to what you have
With every step you're closer to the place you need to be
It's up to you to let her love you sweetlyÂ…

Instead of feelin' bad be glad you've got someone to love
Instead of feelin' sad, be happy there's a god above
Instead of feelin' low, remember you're never on your own
Instead of feelin sad, be happy that she's there at home
She's waitin' for you by the phone
So be glad that she is all your own!

Get happy
She's waitin' for you by the telephone.
So get back home!


Terça-feira, Maio 12, 2009

Com um T bem grande de...



Eu ando mesmo uma chata...

Uma chata amorfa.

Uma chata, amorfa e repetitiva.

Uma chata amorfa, repetitiva e enfadonha.

Enfadonha e repetitiva? Isso é redundante ora!

Então, continuando: Uma chata, amorfa, repetitiva, enfadonha e redundante.

Não, não. Cega. Ceguinha, ceguinha, que não vê uma coisinha interessante na frente do nariz!

Sendo assim, uma chata, amorfa, repetitiva, enfadonha, redundante e cega, que está achando tudo muito chato, inclusive essa falta de posts menos chatos do que esse aqui...

Acusar a TPM é muito chato também?

Fazer o quê?

Chato né?


Sábado, Abril 25, 2009

Saudade Pendente



Outro dia estava lembrando como as coisas pareciam simples quando eu não entendia o conceito de complexidade.


Acho até que faz falta essa simplicidade pela ausência absurda de uma lógica que não pudesse ser atado por duas pontas de um pensamento sem muitas curvas.


E me pus a lembrar desse tempo e me bateu um saudosismo meio infantil de quando eu amarrava um barbante no fundo de uma latinha em uma ponta e entregava a outra latinha para alguém logo ali atrás da porta e conversava através do fio, achando muito mágico falar com alguém tão “longe”.


Bons tempos em que a distância estava ali na pontinha do barbante...

Estava aqui só pensando nessas “pontinhas” deste barbante invisível, atando umas vidas pendentes espalhadas por ai...


Quinta-feira, Abril 16, 2009

Yes I am!!!

Yes, I am... And I love it!

Quinta-feira, Março 26, 2009

Need

Sintam-se plenamente livres para completar essa frase.
E se a resposta for o óbvio ululante, a sua existência provavelmente ainda tem solução...

Sexta-feira, Março 13, 2009

Rounding and rounding...


Perdão.

Cumprimentos em linguagem enigmática. Usuais.

Só penso “extraordinário, extraordinário” em uma lógica incoerente e cíclica, sem muito senso, querendo sentir um infinito que não me cabe cheio de umas miudezas colecionáveis, e sei que é essa a sua matéria. E novamente...

Perdão.

O sol ardente queimando lentamente e imagino-o sádico e carrasco. Talvez seja a gentileza. Colocaria todas as mesuras no liquidificador, junto com aquele aceno.

Perdão.

Mas me curvo. E bebo com as mesmas duas pedras de gelo de sempre. Girando com o dedo e apagando os incêndios com conta gotas.

Extraordinário mesmo, e ainda continua girando, é esquecer.


Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009

Amor Branco e Preto


A mão espalmada sobre a mesa. Cinco dedos retos esticados. E ainda lembrava dos telhados além das janelas e da estrela do mar que esqueceu enquanto mirava a faca entre os lances dos dedos. O propósito ou a falta dele lhe espetou mais uma vez. Faca ao invés dos pincéis.

A gota de sangue brotou rapidamente da pele lacerada, farta e intensamente vermelha. Uma intensidade que lhe faltava de alguma maneira que não sabia explicar. E sentia falta daquela cor, do vermelho dos seus lábios, ou do verde de uns olhos distantes espiando pelas frestas das janelas. Aquelas que estão abertas e que miram telhados e um céu cinza cheio de histórias caladas.

Levou o dedo à boca sentindo o gosto de ferrugem forte. Aquele gosto vivo, que arregala os sentidos e desperta o primitivo instinto de defesa. Mas já aprendeu a sangrar, é isso que dizem as cicatrizes.

Abraçava meu vazio e dizia que era um profundo mar azul para mergulhar. Antes adivinhasse marés.

Roubaram-lhe as cores ou nunca as teve. E essa tela pendurada na parede desbota um pouco mais a cada dia.

E só quis que pintasse esse amor branco e preto.


Imagem: http://ffffound.com/image/3227ec97d7d24016ab3c1d6ef0453efd576a1461

Terça-feira, Fevereiro 10, 2009

What if...


E se não tivesse começado pelo avesso?

Do fim ao começo.

E se agora não passasse de um nome qualquer,

E se não fosse a sombra dos meus pensamentos.

Seria hoje o que foi ontem e não o inverso.

Seria o dileto refúgio dos meus ideais.

E se não tivesse usado palavras em vão,

E se eu não pousasse minhas esperanças nesse galho frágil

Dos caminhos que nunca serão trilhados.


Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

 
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