Atrás dos nossos óculos escuros estava tão claro como era necessário e prefeito.
E nos reconhecemos nus por trás daqueles óculos. Felizes e nus. Cumplicidade dos iguais.
Acho que perdi a prática em disfarçar sorrisos. Estou mesmo enferrujada velho amigo, em ser algo próximo de mim mesma e também de ser algo distante, você sabe, essa suavidade às vezes me irrita,mas cai bem, assim sempre me disse e depois de ter me vestido dela, sei que estava certo... Fico me perguntando se a minha alegria em lhe ver foi tão irritantemente óbvia quanto eu creio que foi. Odeio, e ao mesmo tempo adoro, dizer que a sua também foi igualmente inequívoca. Shhhhh... Que nossos óculos nos protejam!
Será que me permite ser simples?Estava com saudades e senti muitíssimo sua falta. E teria tantas coisas para dizer que não caberiam no mínimo espaço entre mesuras e composturas que nem vale a pena lamentar por não ter sido ditas e nem vou tornar disso uma lista interminável. Quero mais que seja uma ode ao prazer simples do reencontro.
Sei que pensou exatamente as mesmas coisas que eu no primeiro segundo. E nem sei se é necessário descrever o alívio da ter certeza de saber que você me lê como quem aponta o dedo e desliza pelos traços de um mapa conhecido, do qual sabe todas as trilhas. Não. Não é necessário. Nada é imperativo aos que se reconhecem. Não sei se confissão ou constatação, mas tenho a nítida sensação que nos encontrarmos é como finalmente chegar. Assim, no infinitivo.
Vi um sorriso jovem de incertezas
e achei tão triste. E em pensar que antes acharia de uma beleza ímpar. Para mim
se mostrava como o espelho de uma imagem que envelheceu pela previsibilidade.
Por saber por onde andará, e o que passará.
E posso dizer que amava a forma
como acreditava em mim mesma e nas ideias. E amava ter certezas catalogáveis,
assim como era lisonjeiro ter lado, partidos e time de futebol. Em como o
futuro parecia que tinha o gosto da primeira mordida da maçã, e eu nem era a Eva.
E poderia até suspirar agora mesmo, imprimindo toda a veracidade dos
sentimentos talhados na carne, olhando para esse infinito de memórias
fabricadas, e estou certa que acreditaria sem piscar nessa nostalgia inversa.
Acreditava que ideias, genuínas
existiam, por mais incoerente que isso possa parecer. A contradição era charme,
a dúvida brilhava na decoração da minha personalidade feito diamante e disso eu
lembro.
Hoje vejo tudo como uma fumaça
incomoda. Uma fumaça de um charuto de quinta fumado por um velho que não
ultrapassa em pensamentos nem sequer meio centímetro de meio-fio. Vida rasa.
Penso, e logo existo, creio ser um alívio ao menos isso. Mas devo ter essa
mesma imagem embaçada com a qual penso, e com a qual sou pensada. Não são os
anos que me pesam sobre o rosto. Ainda não. Mas a falta de brilho das ilusões.
Odeio reconhecer. Podem até me sobrar lindas pernas para exibir, assim como
antes eu exibia minha incoerente perspicácia.Naquele tempo, e assim até parece quem se passaram anos e não segundos,
a incoerência era muito mais sedutora. Antes tudo tinha um sentido latente ao
qual buscávamos. Hoje o sentido é só ausente, simples assim.
Só mesmo acreditando em lindas estórias
eternas. Só mesmo acreditando que todos os atos atuais desencadearão um futuro.
Uma recompensa. Vivemos feito cachorros enganados com um osso no distante fim
muito mal visualizável.Certamente isso
não é história que se conte para criancinhas. Assim ninguém vai para escola.
Assim ninguém vai querer saber o PIB mundial.Essas são as histórias de “mal assombro” que uma pequena corja de
covardes conhece. Creio que eu estou entre eles. Estes que permitem que o mundo
vá andando, como um trem nos seus trilhos, subindo e descendo montanhas, como
se houvesse um destino e um lugar aonde chegar, tudo segue o seu curso e seu
caminhar. E que o fazem sem alarde só pela falta que iria fazer essa paisagem
plácida que eu assisto com destino a nenhum lugar. Só por este balançar que
nina os pensamentos convulsos dessa mesma corja insana. Só porque a poesia
dessa beleza é assim, essencialmente ignorante, e assim mesmo deve ficar.
Penso se serei punida pelo sim - conheço
todas as perguntas e não as nego - e ao mesmo tempo pelo não - conheço todas as
respostas e as deveria esquecer. Penso se estou no meio de um caminho. Mas logo
em seguida me debruço sobre a minha falta de método, pois em tal hipótese já
vejo a impossibilidade de existir posição incoerente assim. Meio quando não há
nem início nem fim?
Eu já quis Buda, Maomé e Oxalá
que alguma coisa assim, e todas elas ao mesmo tempo girem, girem e conheçam em
mim o que há de essencial e revigorante, o que há de honesto e ignorante, o que
há de dormente e exultante, mas que de mim conheçam, que de mim sintam, que de
mim vejam o que eu não vejo, o que eu não sinto e o que eu não conheço.Ou talvez nenhum deles. Ou talvez o sentido
mais ínfimo, o mais ignóbil e honesto, o mais tátil e palpável, o mais frágil e
desconexo, o amor que há ou que deveria haver, que eu deveria conhecer e
cultivar, que eu deveria ter e saber dar, o amor que eu queria ver e criar. Mas
nunca foi nem haverá.
Quando criança (ou quando mais criança do que hoje e do que amanhã) eu ficava muitíssimo intrigada quando um dia me cabiam os sapatos e no outro já não me serviam mais. Ouvia sempre a mesma resposta da minha mãe: “Porque está crescendo”... E nem assim isso entrava na minha cabeça, como assim “crescendo”? De um dia para o outro sem aviso prévio? Injusto eu pensava. E ficava tentando enfiar os pés dentro dos mesmos sapatos ultrapassados só para teimar com o ritmo da vida.
Hoje ouvi uma coisa no mínimo inusitada. Que estou muito mais madura. Deu vontade de dizer: “Hã?!” Como assim? Essa contagem eterna de horas está me servindo para alguma coisa por fim. Deve ser assim. Crescendo invisivelmente e agora sem mais a medida dos meus pés para me dizer algo. Ainda mais injusto que antes.
E depois? Voltar ao começo? Espero não terminar meus dias querendo enfiar a minha mente em algum buraco de agulha. Perfeição e tranqüilidade. Beleza sem fim. Até que não soa como uma má idéia, mesmo que os dedos apertem dentro do sapato pequeno...
Estava vendo outro dia uma entrevista com um estilo diferente, onde as pessoas respondiam com músicas.
Eu não saberia responder nem a metade daquelas perguntas, como se fosse simples dizer qual a música ideal para dizer a vida. Na verdade não seria fácil escolher uma, não por falta de "trilha sonora" na minha vida. Ao contrário. Por ter tantas e variadas paixões musicais que me sentiria traindo todas se escolhesse uma.
Eu mudo sempre. E você ai baixe o dedinho que volúvel é senhora sua vozinha! rs
E mesmo esse blog não sendo algo lá muito musical (mas tem estado atualmente acompanhando os "meus estados") resolvi postar mais essa.
Acho que traduziria uma pergunta assim: O que para você é o mais novo, o mais velho ou eterno?
Tem coisas que na minha vida vão e vem. Umas para o bem, outras nem tanto... Música é assim também. Sou o que já cantam “uma mulher de fases”. Se me analisassem (e não é necessário porque já me ocupo o bastante com isso) diriam que minhas fases musicais dizem respeito as minhas fases mentais ou psicológicas, mas isso já é outra história...
Bom, hoje acordei com essa música me corroendo por dentro, cantando ela no chuveiro, na padaria e no sinal... Sem jeito. Psicoticamente sem jeito! rss
Um breve intróito: I Will Survive é uma música Folk Americana (sim, eu adoro Folk! ) que não sei o raio de motivo fez virar hino gay!
A letra fala de uma desilusão e uma superação, e em como é necessário ser forte para esquecer, para não permitir que as mesmas coisas venham lhe ferir novamente. Ou seja, é um pouco da história de todos nós em algum momento da vida...
E ai? Alguém entende porque é hino gay? E não me venha dizer que é por causa do filme Priscila: A rainha do deserto... Pouquíssimo criativo!
Fica o vídeo da música na interpretação impecável de CAKE (LÓGICO!!!)
Dica de última hora: Se você já viveu uma história como a da música, troquem mesmo a fechadura! Funciona! rssss
Com a mesma boca entreaberta e idiota tão ridicularizada por mim, antes de tudo, ao ver uma cena assim. Alguém no meio de uma palavra que nunca encontrou caminho. Com as mãos buscando pateticamente formas ausentes.
Estupefata inércia, eu diria, se naquele momento articulasse idéias além da realidade que me cobria. O fino pó de consciência e tempo.
E se dissesse que voltaria, que se recolocaria naquele espaço vazio ainda desenhando na minha cabeça, e contornado pelas minhas memórias absurdas de uma presença que nunca existiu, ainda assim estaria no escuro do meu pavor.
Hoje abriam as janelas e deixaram escapar aquele ar pesado das nossas respirações. Os lençóis ainda estão marcados pelo peso do seu corpo, e talvez essa seja a única sinal real de que um dia esteve naquele lugar. Não deixei que os levassem. Quero as provas da presença e da ausência, da lucidez e da loucura.
INTROITO: Este é o início do projeto cruzado de escrita de contos, entre eu e o meu grande amigo Hecton. Ainda não sabemos bem se enveredaremos para o estilo de cartas ou qual será o formato, afinal, essa sinceramente não é nossa preocupação principal, sinto muito aos literatos, ou a qualquer leitor desavisado. É só a tentativa de duas mentes que de tanta pressa andam lentas por esses dias! Pois bem, exatamente pela falta de dores (e mais outras rimas ordinárias, como amores... Como diria o próprio Hecton) iremos inventar as nossas próprias, alias, melhor dizendo, as alheias, conforme os textos que vão seguir logo abaixo, e que hora e vez vão aparecer aqui no brincos.
Nunca segurei a sua mão, e agora lembro isto enquanto mergulho no mar. Primeiro vejo os pés submersos, depois os tornozelos, pernas, peito, e agora junto submergem todas as idéias. Pouco a pouco sumindo, em um mundo paralelo.
Vejo só azul neste universo, e inexplicavelmente isto me acalma, como imagino que serenaria a ausência completa ou a presença absoluta. Quanto ultrapassa, quanto transborda? Pensei não haver limites nem medidas a quê nos submetêssemos nesse mar inverso, revesso. Trocando e girando sentidos e realidades nas ondas que me levam do fim ao começo. Tente. Ainda sabe encontrar?
Ainda traço as mesmas linhas, com as mãos miúdas que lhe faziam rir, tentando tão aplicadamente reter o tempo. Mais um mergulho e sinto o peso da água escorrendo pelos meus cabelos, escutando a respiração e o silêncio. Continuo a dança. Observando o ritmo das ondas e as ondas deste pensamento, indo e voltando na mesma constância tirânica.
Comecei sem saber o que dizer, mas sabendo que o deveria. Se pudesse inventaria a habilidade de entender o que nem sequer soube reduzir em idéia. Talvez pela certeza de que a única coisa que deveria lhe falar não se pronuncia. Soma uma complexidade que nunca poderemos traduzir, ou que simplesmente pelo mesmo motivo sequer existe. E ainda assim, eu só sinto falta de segurar a sua mão invisível e mergulhar mais uma vez no seu azul.
* * *
Bem, até ontem eu entendia o que aquelas palavras diziam sobre o inconsciente, ao menos acreditava que entendia. Naquelas linhas que insisti em escrever, pouco restou de algo que se possa compreender, talvez a palidez que sua face que se mostrava pudesse presumir que o óbvio desse um salto à minha frente, mostrando o que estava além das sombras.
Tive medo, confesso. Talvez me faltasse à ousadia que eu tinha de sobra pra coisas que não me engrandecia como você me faz. Minha mente insiste em criar momentos que só existiram nela e com uma realidade que me transporta pro seu mundo, aquele mundo que se define mil sensações com uma única palavra. Sensações, talvez esses impulsos químicos que me faziam apegar no seu olhar, e me fazia transpor barreiras até mais que o seu universo, com seu azul celeste.
Poupo-me de usar aspas para palavras que realmente quero lhe dizer, e sei que no fundo há multiuniversos que se colidem criando as sensações que disse logo acima, ou talvez seja apenas mais um dos momentos que minha mente cria na ânsia de poder respirar fundo e não sentir todo o peso do mundo por alguns instantes e dizer que tudo está bem e ficará sempre bem.
Acordei logo em seguida, suspirei fundo e vi que a lua estava nos seus últimos minutos de brilho, pude saber neste instante que o meu dia podia ser diferente, e que planetas ou sistemas inteiros não precisavam colidirem para criar as sensações, bastava olhar pra você.
Sobre a imagem: Chama-se "Granade Lovers". On March 3, 2009, Morten Landmark of HMP announced that the print edition of "Grenade Lovers" would be released during the week of March 8, 2009. Morten Landmark stated that "Grenande Lovers" is a 50x70cm print signed and numbered in an edition of 150 pieces printed on Conqueror Connoisseur Soft White 300gsm paper.
Não sou de ficar contando detalhes pessoais como se o Brincos fosse confessionário ou manicure (que escuta melhor que qualquer psicólogo, façam o teste!) mas acho que preciso “me contar”, fazer um saldo, um balanço, ou coisas do tipo que se tem vontade de fazer nos fins e nos recomeços.
Senti imensa saudade desse lugarzinho escondido nos confins desse universo (virtual, por supuesto!), dos amigos, que considero muito mais reais do que outros que moram na porta ao lado, e de todos os sentimentos que brincam de roda aqui por perto, sejam meus ou alheios.
E se for hora para perdão, que seja assim então, perdão por ter estado tão perto mais tão longe, não foi a intenção. Estive seguindo a estrada de tijolos amarelos, essa é a verdade. Os meus pés cansados contam muitas histórias, é só querer ouvir. E se ainda couberem resoluções de ano novo, ai vai uma, vou permitir que eles contem. E assim espero finalmente ter chegado na real denominação de "casa".
Tem uma musiquinha até meio infantil americana que vivo cantarolando sem pensar muito sobre ela, mas de certa maneira ela diz uma verdade redentora...
"Row, row, row your boat Gently down the stream Merrily, merrily, merrily, merrily Life is but a dream"
E lembrei dela outro dia quando me perguntaram se o Brincos morreu, faleceu, bateu as botas, partiu dessa para uma melhor, abotoou o paletó, entre outros eufemismos... E a resposta, não poupando os meus pulmões para repetir, é só uma: Não, não e não!
Eu me recuso!
Poderia enumerar motivos, e ainda bem que os números são infinitos, para que uma tragédia dessas acontecesse, mas nada é desculpa suficientemente “arrumadinha” (para contrastar com as esfarrapadas como falta de tempo, a quantidade de pastas empilhadas na mesa, meus dois insistentes quilos sobrando e a novela das oito) que possa ser aceita de bom grado...
Enquanto vou tentando arrumar nas prateleiras da minha mente os problemas colecionáveis, fico dialogando com meus brincos, (e não com os meus botões, que são muito ranzinzas), contando do que os meus olhos podem ver, do que eu posso imaginar e tudo mais que saltita aqui e ali sem testemunha a não ser eles, meus fiéis brincos e batom.
Os posts, tenho que admitir, não acompanham as novidades reais e as caducas, as elucubrações, o triste e o contente, o bolo queimado no forno e o meu bilhete quase premiado da quina. Mas isso é outra história... Uma que os dedos as vezes esquecem de contar.
Sendo assim não vou permitir nem que se dê ideias escabrosas ao moribundo, nem que se puxe o gatilho! Ou mesmo que se diga que o derradeiro suspiro seria algo possível. Não sou a favor da eutanásia, e ainda pacifista convicta!
O que veio primeiro?O ovo ou a galinha? A Foto ou a música para o post de hoje??? Bem... A foto... Definitivamente a foto que adorei! E a música, nem preciso comentar, né não?
Changes - Seu Jorge
Não vou lamentar, o que passou passou Eu vou embora, meu tempo acabou Tenho muita coisa para descobrir Eu sinto muito, mas tenho que ir Vou pro mundo porque nada mais me prende aqui É o final do show E não fique magoado porque vou partir É só o jeito que eu sou
Changes lá vem meu trem Vem meu trem To saindo fora porque eu vou me dar bem Changes lá vem meu trem Vem meu trem Sei que tá na hora e eu vou me dar bem Sempre em frente, nunca pra trás
Não é por nada não mas vou me divertir Enquanto a vida assim permitir Só procurar fazer amigos do bem, se precisar ajudar também E agora a liberdade e o horizonte Só você não sacou Nova York, Ipanema ou Hong Kong É nessa aí que eu tô
Changes lá vem meu trem Vem meu trem Tô saindo fora porque eu sei que vou me dar bem Changes lá vem meu trem Vem meu trem Sei que tá na hora e eu vou me dar bem Sempre em frente, nunca pra trás
Livre eu me sinto, sublime Gente mais gente O mar e o céu azul
Changes lá vem meu trem Vem meu trem Tô saindo fora e eu sei que vou me dar bem Changes lá vem meu trem Vem meu trem Tô saindo fora e eu sei que vou me dar bem Sempre em frente, nunca pra trás Sempre em frente, nunca pra trás