sexta-feira, novembro 07, 2008

Light my Fire

A imagem do fogo me atraiu hoje. Nem sei bem as razões, se é que devem existir... Fez lembrar dessa música do The Doors que eu sempre adoro escutar... Hoje foi isso que ficou:

"The time to hesitate is through"


I saw you shivering just by the thoughs,

But you should not punish your own mind.

Be true. The only thing you don't know how to be...

That's why you got lost on me,

That's why you can't stare my eyes.

I can't blame you but I should.

Bu't I can name your actions by what they really are.

If you can't light my fire,

I have to say that I can't be a liar...

Imagem: olhares.aeiou.pt

domingo, outubro 19, 2008

Roupas no Varal



Acomodava a bacia na curva da sua cintura sinuosa. Sua estrada particular. O caminho que costumava pensar que tão bem conhecia.
Uma vez ouviu dizer que o tempo é o senhor dos destinos. Achou bonito aquilo mesmo sem entender ao certo. Talvez por um certo tom misterioso . Um enigma que algum dia decifraria entre suspiros tediosos de um dia de sol igual a este enquanto crianças brincam no jardim.
Mas não tinha pressa. Nunca tinha. Até lá, seguia balançado as certezas de outro tempo. O sol estava macio e o vento lhe fazia caricias pela pele, brincando com suas saias, fazendo subir as sua narinas o cheiro da roupa recém lavada. Cheia de uma umidade amena, tal qual esses dias de transitoriedade.
Pegou a primeira peça, sacudiu deixando respingar algumas gotas sobre si, e formando um arco-íris de instantes, revelando o sempre esteve ali suspenso ao seu redor.
Uma após a outra continuava seu exercício de escolha pondo peças de uma trama aleatória lado a lado, que acenavam uma partida sem fim pela mesma brincadeira do vento, ou daquele tempo tão senhor dos destinos.
E se em algum momento esteve próxima e distante, exatamente como imagina que deve ser, aquele era o momento, enquanto estendia roupas no varal, pois a ignorância dos inocentes é o combustível da coragem.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Coleções



Sinto algo que está por vir e que antes que os olhos vejam, muito antes, já corre no sangue, e por mais que se queira aprisionar esse pássaro invisível, que me rodeia como se em uma redoma de vidro, me perco perseguindo o ar que ele moveu até então.


Não que me faltem mapas, falta-me apenas o destino.

terça-feira, agosto 26, 2008

Areia ao Vento




Entre as folhas daquele livro encontrei um pedaço de história. As digitais da sua presença exasperante nos meus parágrafos, minhas rotas de fuga. Nunca soube costurar farelos, e agora me ato a linhas.
Não sei mais dizer se o que sinto são os fluídos dessa humanidade pegajosa, o pulsar da dor ou outra antecipação ansiosa qualquer... E já nem me interessa. Só consigo enxergar meu próprio vazio, este enorme oco no meu peito devorador e devorado. 

Poderia passar o dia vagando por caminhos circulares, seguindo o norte de uma bússola viciada, ou beijar a sua boca de vício e da mesma forma estaria perdida, consumida por esse monstro medonho da minha solidão. Tenho medo que alguém o veja, que espie por alguma fresta o meu desespero descuidado. Melhor fazer as malas. Levar comigo qualquer vestígio e sair soltando pela janela letra por letra as desconstruções das suas palavras, como areia, pó... Como tempo.

quarta-feira, agosto 13, 2008

"Perdi o meu castelo e a minha princesa"


Nunca quis saber as respostas para as perguntas reais que rondavam a sua cabeça. Talvez por isso eu sempre tenha fugido da inevitável necessidade de verter em verdade os meus próprios pensamentos, minhas próprias obviedades ou as suas... Já que palavras são os tijolos desses auto-enganos que nos pomos a construir, e mesmo que em algum momento as paredes dessas realidades tenham se erguido, não foi demolindo-as que seguimos sustentando os nossos “pesos e levezas”?



E forjei como que em ferro as ilusões necessárias para fazer de você o meu escudo e a minha espada. E não foi o que fez igualmente de mim?

Se te fiz arma, é exatamente ela que me fere agora. Mas falta-me a mesma destreza, ou sobra falta de convicção para fazer o mesmo que faz a mim, ser o espelho de sempre. Um duelo de titãs que não deveria haver derrotados, mas agora tenho que usar escudo nos meus calcanhares...Penso que falhei. Ou talvez de tanto acertar, tenha destruído o que havia de genuíno, original. Negar-me para aceitar, para não destruir, e mesmo assim o fiz? E agora, o que faço dessa imensa imitação de mim mesmo que criei para protegê-la? Abrigamo-nos neste castelo de eufemismos, construído da matéria do impossível que quero crer que são paredes fortes e eternas. E nunca quis o sopro que poderia derrubar este castelo de cartas, e você só esperou o sopro do dragão...



Ao som de: Metal contra as nuvens – Legião Urbana

terça-feira, agosto 05, 2008

Abrace!




I wish this could work everytime we miss someone!

terça-feira, julho 29, 2008

O Oráculo do Chá

Estava eu preparando o meu singelo chazinho noturno de hortelã, (daqueles de pacotinho mesmo...) quando reparei (depois de anos!!!) que na etiquetinha do chá vem escrito umas frases de pensadores famosos...
Para mim ontem, e me fez muito sentido, o oráculo do chá me disse:

“Se a razão que faz o homem, é o sentimento que o conduz.” (Rousseau)

terça-feira, julho 15, 2008

A Chuva



"Ouvia a mesma música repetidamente.
O fim emendava-se ao começo em um ciclo perfeito. As palavras serpenteavam por dentro daquela sala, enrolavam-se entre os seus dedos e ainda assim não sabia o que dizer.
Talvez por que palavras fossem só palavras e não ardiam naquele papel como os sentimentos que lhe queimavam o peito... Ou talvez pela pura incapacidade de domá-las e alinhá-las dentro de linhas, parágrafos, que contivessem segredos, profecias, que tocassem o passado e abraçassem o futuro.
E roga...
Roga por pensamentos como chuva. Como fim e começo.
Conseguia rir e chorar nos mesmos olhos e lábios, convulsa e convencida e de todas as incertezas amontoadas no corredor.
Até que a mão dele pousou sobre o seu ombro...
Atou todos os minutos, calou todos os sons, conteve todo o pulsar e pôs-se ao seu lado. "

Thank you dear friend to be always with me.
Imagem: http://browse.deviantart.com/?q=rain&order=9&offset=48#/d1k9kih

sábado, julho 05, 2008

O Tiro


Ele fica na espreita.
Espiando pelas brechas... Nas frestas de uma fraqueza qualquer. Estreitezas forjadas por brasa quente em uma pele fina. Tramas e correntes. Artimanhas. Ardis.
Posiciona-se novamente e lembra os porquês. Para não ser levado pela correnteza e agora para ser levado por ela. Sente o peso da arma sobre o ombro direito.
Um espaço. Um raio.
É só do que precisa. Porque crê que possa crer.
É o prumo, o rumo sem setas.
Tiro.
Hesitação, alívio e medo escorrendo pela testa.
Alvo ao chão. Ele e suas metas tão estreitas, retas.
A arma fica mais leve. Os ombros mais pesados.
Um tiro e esse equilíbrio manco...
É tudo que têm.
Não há mais alvos nem arestas.
Não há pistas ou inimigos.
Respira o cheiro da solidão e da pólvora.
Só resta o peso desse vazio arrastado de fim.
Finais.
Sobra uma bala...
E um só alvo.

terça-feira, julho 01, 2008

Qui pro có


A expressão em latim quid pro quo, escrita no bom português quiprocó, tem significado de ‘isto por aquilo’, ‘toma-lá-da-cá’, ‘uma coisa por outra’.
Nem sei se este significado original se distancia tanto assim daquele ao qual se usa atualmente por aqui... Afinal, esse ‘toma-lá-dá-cá’ muitas vezes gera um verdadeiro quiprocó... Ou seja, uma confusão dos diabos, já que as pessoas estão cada vez mais viciadas a travarem suas relações pessoais na base do mercantilismo sentimental.
Não sei se eu tenho tendências menos ‘sentimentalmente capitalistas’, ou talvez eu seja uma utópica subversiva, só sei que nunca me acostumei a esse quid pro quo dos sentimentos...
- “Me dá lá meio quilo de atenção que eu te dou uma graminha de consideração!”
Aplique-se a isso juros de 5 ligações ao mês e correção monetária de uma mensagem simpática por dia de atraso e você terá uma divida de sem fim!
Eu não...
Eu gosto é de sorriso gratuito...
De abraço apertado e de saudade dolorida...
Eu gosto é da lembrança e da companhia sem pretensão...
Da atenção dos sentimentos reais.
E isso meus amigos... Dá um quiprocó... Ninguém nem imagina...